Ética, educação, política e Facebook

Falo brincando que o País não está mais no fundo do poço: já chegamos ao pré-sal! Brincadeiras à parte, apesar da aparente visão negativa percebo, atualmente, uma riqueza de discussões e uma oportunidade enorme para abordarmos temas para a educação ética das crianças, jovens, adultos e idosos do Brasil.

Quais são as principais questões atuais: o uso indevido do dinheiro público, o tráfico de influência, o poder a qualquer custo, a honestidade e muitas outras. Gosto muito de assistir aos vídeos do professor de história da Unicamp, Leandro Karnal. Ele dá inúmeros exemplos do que é ser ético e fala que situações corriqueiras de desonestidades, que não aparecem tanto, são tão graves quanto outras que vem ganhando destaque.

Ele exemplifica um aluno que estava colando na prova e quando percebe que o professor vai tomá-la, diz: “que isso professor, somos amigos”. E Leandro conta que respondeu: “amigos sim, cúmplices não”.

Por que há diferença no comportamento de um trabalhador de uma empresa e de um servidor público? Muitos irão responder: porque o segundo tem estabilidade. Ou seja, eu só me comporto bem e sigo as regras se corro o risco de ser mandado embora? Então, o servidor que tem estabilidade pode ter uma super, mega “flexibilidade” em relação aos seus deveres?

E o cuidado com o espaço público? Não é meu, então não vou zelar por ele. E o pior: o utilizo para fins próprios! Então é o vereador que usa os programas assistenciais (materiais de construção, cesta básica) da prefeitura para fazer campanha para a próxima eleição, é o filho do prefeito que usa o carro da prefeitura para levá-lo a escola… E são inúmeros os exemplos reais. Converso com amigos que moram em outros países (Inglaterra, Espanha, França) e a visão do funcionário público é outra, o comprometimento com o trabalho e a consciência do cuidado com a coisa pública são essenciais.

Seria importante destacar que estive conversando com esses amigos, e constatamos que tanto eles quanto seus colegas de trabalho são agnósticos ou ateus. Ou seja, a honestidade no trabalho não tem relação com uma crença religiosa e sim com o compromisso ético pessoal (independente do medo de ser punido ou premiado após a morte). Claro que não sou inocente em dizer que nos países da Europa não há corrupção, haja vista as denúncias sobre a FIFA. Mas sei que a qualidade de conservação das estradas, o funcionamento dos prédios públicos (teatro, museus e outros), o atendimento dos hospitais, dentre outros, são o retrato do real significado de país de primeiro mundo.

Sim, sou idealista e desejo que o Brasil alcance tudo isso simplesmente porque merecemos viver melhor. Acredito no óbvio, que um caminho seria a educação e a consciência das crianças a respeito do tema honestidade.

Os temas que proponho a ser tratado com nossas crianças e adolescentes são: “Farinha pouca meu pirão primeiro”, “O mundo é dos espertos”, “Tem como dar um jeitinho?”, “Você sabe com quem está falando?”. As escolas poderiam promover debates sobre cidadania, o momento é extremamente propício.

Não sei qual foi o sábio que disse que “toda crise pode gerar uma oportunidade”, mas penso que devamos aproveitar o momento para repensar o nosso comportamento também. Felizmente, a mudança que vem com o auto-conhecimento (a a auto-avaliação) é bem-vinda em qualquer fase da vida.

E o Facebook, onde ele entra nessa história?

Sempre fui uma frequentadora assídua e o utilizava por vários motivos: diversão, contato com os amigos que moram em outras cidades, e, principalmente, divulgação de notícias boas no grupo “eu quero um mundo melhor agora!”, mas, decidi dar um tempo porque vi muitos amigos mostrando um lado mais agressivo (e eu também) e isso desencadeia discussões mais sérias que nos causam futuros arrependimentos. Ou seja, me afastei para não ser contaminada porque a violência verbal e o deboche ofensivo são contagiantes e traz sérias consequências, no mínimo o próprio desequilíbrio emocional.

Então, por tudo isso, decidi escrever para o “Questões de Família” visando compartilhar o que venho propondo a mim mesma:

Diante das gravidades da crise política, econômica e institucional vamos manter a nossa calma e, SINCERAMENTE, torcer para que o país encontre um caminho rumo à estabilidade.

Vamos fazer nossa parte LUTANDO diariamente para mantermos um comportamento ético nas redes sociais, em casa, no trabalho, na escola, em todos os lugares. Acredito e espero que sairemos dessa mais amadurecidos enquanto cidadãos e pessoas.

Share
Odete Loureiro
Sobre o autor

ODETE MARIA LOUREIRO RIBEIRO é Assistente Social e trabalha atualmente no Poder Judiciário (RJ), lidando diretamente com questões relacionadas a crianças em situação de risco e pais candidatos a adoção. A Odete cursou Especialização e Mestrado Profissional em Gerontologia na Espanha (Universidade de Salamanca), é autora do livro “Adoção", pratica yoga, meditação, é vegetariana e adora uma boa foto.

Share on

Leave a reply