Festa de 15 anos

“Por isso sou uma defensora das visitas bem orientadas dos habilitados a adoção às instituições de acolhimento Nelas, grupo de irmãos e crianças mais velhas tem maior chance de serem encontradas por seus pais adotivos.

 

Há três anos 4 crianças foram disponibilizadas para adoção: 4 irmãos com idades entre 4 a 12 anos. Não havia ninguém em nossa fila de adoção que tivesse interesse em 4 filhos de uma só vez, sendo que a idade da “menina” mais velha fugia ao interesse dos habilitados do Cadastro Nacional de Adoção. Apesar dos pesares, resolvemos falar sobre eles na reunião com os habilitados da Comarca e explicamos que seria possível dividi-los em duas famílias, desde que as mesmas aceitassem manter o vínculo fraterno. Um silêncio esperado e mudamos de assunto.

No final da reunião dois casais vieram perguntar se poderiam visitar as crianças. Demos as orientações que entendemos cabíveis, inclusive demonstrando nossa preocupação com o risco de causar falsas esperanças ao quarteto.

Felizmente um casal se encantou com os dois meninos e o outro com as duas meninas. Cumpridas as formalidades cabíveis, o termo de guarda foi firmado.

Esses encontros são impressionantes porque é comum mudar a concepção dos interessados de uma forma muito interessante. Neste caso, por exemplo, cada casal de habilitados pretendia adotar uma só uma criança e as idades das crianças disponíveis também eram diferentes do que desejavam inicialmente. No final, o resultado acabou sendo melhor do que nós mesmos esperávamos. Por isso sou uma defensora das visitas bem orientadas dos habilitados a adoção às instituições de acolhimento. Nelas, grupo de irmãos e crianças mais velhas tem maior chance de serem encontradas por seus pais adotivos.

A “menina” de 12 anos deu trabalho. Sua irmã, com 4 anos, podia se sentar no colo dos guardiões e dormir com eles na mesma cama e isso lhe incomodava: ela não podia voltar a ser criança… Ela começou a sentir muito ciúmes da irmã e as brigas começaram. Outros comportamentos inesperados foram surgindo para chamar a atenção do casal e em função do medo de ser rejeitada. Acompanhamos (assistente social e psicólogo) a família durante meses e, pouco a pouco, a adolescente foi entendendo que podia ser amada também, mesmo já sendo “grande” e não tendo nascida da barriga da guardiã. O casal chegou a pensar que ela “nunca” os chamaria de pai e mãe, somente de “tios”.

Então o tempo passou e o amor foi ganhando terreno.

Fui à festa de 15 anos da linda “menina”. Ela mudou muito (e falo isso sem o menor exagero): se tornou muito mais bonita e serena. Na festa entrou vestida de princesa, sua irmã cantou para ela e a “menina” cantou para os seus pais (e assim os chama: PAI e MÃE). No final, quando eu estava saindo do local da festa, vi a princesa “menina” brincando com os seus 3 irmãos. Não há palavras para descrever o encantamento da cena.

Desejo um Feliz dia das MÃES para todas as mães e em especial para aquelas que tiveram que esperar um pouco mais para assim serem chamadas…

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Odete Loureiro
Sobre o autor

ODETE MARIA LOUREIRO RIBEIRO é Assistente Social e trabalha atualmente no Poder Judiciário (RJ), lidando diretamente com questões relacionadas a crianças em situação de risco e pais candidatos a adoção. A Odete cursou Especialização e Mestrado Profissional em Gerontologia na Espanha (Universidade de Salamanca), é autora do livro “Adoção", pratica yoga, meditação, é vegetariana e adora uma boa foto.

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2 Comments
  • Luciano André Carvalho Reis - agosto 12, 2018

    Admirável sua atitude Odete! Parabéns

    • Odete - agosto 12, 2018

      Obrigada!!

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