Sintomas

Então, um dia a gente acorda com uma sensação meio estranha. Parece que não dormiu direito. Cabeça pesada, um pouco de dor no corpo… Mas, sabe como é…  quem tem que matar um leão por dia não pode se dar ao luxo de ficar doente. Assim, a gente acaba tomando  uma dose dupla de café, e se manda para o trabalho.

Nem bem chegou lá, já se sabe que a decisão não foi acertada. E antes do almoço, já ardendo em febre, admitimos que não dá. Percebemos então que a empresa irá sim, sobreviver um dia sem a gente, e somos tranquilizados pela recomendação do chefe “vai pra casa e descansa. Só volta aqui quando estiver recuperado”.

SINTOMAS são indicativos que a vida nos dá de que algo não vai bem, e que requer atenção, cuidado, às vezes mudanças de hábito ou mesmo de repensar valores.

Antitérmicos são importantes para evitar que o corpo chegue a uma temperatura que o ser vivo não tolera, mas raramente dão conta do problema.

Lembro-me de que, na infância, tínhamos pavor dos tais 40º C de febre. Ao passar dos 39 e meio, alguém já gritava “Mete esse menino no chuveiro frio”. Era um jeito de dar um tempo para a “novalgina” fazer efeito, mas não era definitivamente a solução da infecção que motivava a febre produzida no corpo.

A sintomatologia é tão variada quantos os problemas na vida. Seja de saúde física, mental  ou nos relacionamentos, onde houver um processo de adoecimento acontecendo, sintomas aparecerão. Resta saber se esses sintomas encontrarão uma mente alerta, sensível e comprometida em interpretá-los e agir de forma sábia e efetiva em seu diagnóstico e tratamento.

Nossa família é também “um corpo”.  Sintomas que apontam para a sua saúde ou falta dela são emitidos em meio ao dia a dia.  A febre familiar pode paradoxalmente se apresentar como um resfriamento: de sentimentos, de interesse, de afeto, de atração. Por vezes, pode alcançar altos graus de temperatura: discussões, gritos, humilhações que incluem até mesmo violência física.

Ignorar, disfarçar ou nos acostumar com os sintomas raramente representam uma atitude que favorece a saúde. Ao contrário, assim como uma infecção que não é tratada com remédios que agem na causa, a tendência é o processo intensificar-se, passando de crônico a uma crise aguda, que muitas vezes não permite que o corpo www.buy-trusted-tablets.com sobreviva.

Os problemas, assim como os sintomas associados a eles, são parte da vida. Não é demérito adoecer. Mas, antes de ser um sinal de fracasso, a doença é um chamado a saúde, a atenção, ao cuidado… um chamado ao Amor. O que fazemos a partir dela é que faz toda a diferença.

Percebemos então que o amor que percebe a febre de um filho é da mesma natureza que o amor nos sensibiliza para as questões que precisam ser tratadas, e é dele que nasce a coragem para enfrentá-las. Enfrentamento que muitas vezes envolve a dura necessidade de mudar a nós mesmos.

A mãe que percebe que o filho está com febre é aquela mesma que parou o olhar sobre ele, em ato de atenção, de compromisso… E que parou os afazeres de seu interesse, para se debruçar carinhosamente no cuidado daquilo que precisa ser curado.

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Jorge Penedo
Sobre o autor

JORGE PENEDO é nascido em Cachoeiro de Itapemirim-ES e casado com Helena de Brito. O pai da Ana Júlia, de 13 anos, é formado em engenharia eletrônica pela UFRJ e atua profissionalmente como consultor de sistemas, escritor e palestrante. Encantado pela vida, pela família, pela educação e pelas relações humanas, gosta de usar as palavras para valorizar a vida, os relacionamentos e a forma como o homem lida com a própria existência e contribui com o meio onde está inserido.

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