“Honrar pai e mãe”

Como tenho refletido sobre isso ultimamente! Na verdade, não me soa como “mandamento” – me vem, mesmo, envolto em gratidão, profunda e alegre. Tenho tanto a recordar e tanto a honrar.

Conto histórias; e meu pai, antes de mim, o fazia. Assim nos criou e orientou. Historias simples, de homem de pouco estudo mas de muita sabedoria.

Papai sempre dizia:

– “Filha, a vida é como uma Roda Gigante: uma hora a gente está lá em cima – que beleza! Vendo tudo do alto, se sentindo o dono do mundo. Mas, daí a roda gira e, de repente, a gente vai parar lá embaixo…

– Assim, filha, muito cuidado quando você estiver lá em cima, com a maneira com que você vai tratar quem estiver lá embaixo. Muito cuidado! Pois quando a roda rodar, serão eles que estarão lá em cima. E, do mesmo jeito que você os tiver tratado, assim eles lhe tratarão.”

Agradeço muito a Deus por ter recebido esses presentes, especiais, do meu pai. Acho que faço bom uso deles, além de os seguir contando. E fico a meditar: estarão as pessoas, ainda, partilhando suas experiências com seus filhos?

Dar às regras do bem conviver a dimensão afetiva faz uma diferença tão grande em nossas vidas! Colocando-nos no lugar do outro, simples assim, e nossos atos assumem outra dimensão.

Sigo meditando – o que são as leis senão regras de comportamento que buscam tornar possível a convivência em sociedade?

“Seu direito termina onde começa o direito do outro”, foi assim que eles me ensinaram, os pais que tento honrar. E me espanto quando percebo o quanto nossa sociedade procura não seguir as leis, mas, antes de tudo, as burlar!

Parece que o inteligente é o que consegue contornar, escapulir, fazer de bobo.

Aplicativos que indicam onde está acontecendo a blitz de forma a se evitar o flagrante ‘bebida e direção’ – e os acidentes se multiplicando em mortes trágicas e desnecessárias… Cyber colas coletivas, fraudando Enem… Votação de leis que visam encobrir ‘malfeitos’, ‘mal usos’, ‘mal serviços’ – valendo prêmios em dinheiro…

Há um mal instalado no nosso inconsciente coletivo, nos cegando, nos confundindo, nos fazendo, a nós todos, de bobos – e tornando nossas vidas tão piores! Precisamos combate-lo … Eu conto histórias. E continua atenta ao girar da roda gigante!

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Maria Elvira Tavares Costa
Sobre o autor

Maria Elvira é mulher e é mãe. A gente podia dizer que ela é administradora, que tem Licenciatura em Sociologia, que é psicodramatista, psicopedagoga, que já trabalhou muito de carteira assinada etc, etc... Tudo seria verdade, mas é pouco: Maria Elvira é Contadora de Histórias!

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